segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Enoque e sua simbologia

O nome Enoque aparece na Bíblia sendo duas pessoas diferentes. Primeiro ele é filho de Caim que, após sua concepção, construiu uma cidade com o seu nome. Depois, Enoque surge como um dos patriarcas antidiluvianos. Ele é filho de Jared e pai de Matusalém. Viveu na superfície da Terra por 365 anos. Um número que pode parecer alto para os padrões humanos, mas que se comparado à idade dos outros patriarcas é muito baixo, haja vista seu filho, Matusalém, que viveu 969 anos.

A pouca idade, entretanto, não é o maior mistério que o ronda. No relato bíblico, ao contrário de seus antepassados e descendentes, não há uma só palavra que diga que Enoque morreu. Isso mesmo. A Bíblia não fala de sua morte. As escrituras dizem que ele andou com Deus e depois de 365 anos este o arrebatou. Trata-se de um dos poucos casos em todo texto bíblico de que um personagem não morre e anda com Deus ainda em vida. Tudo bem, o Gênesis, assim como praticamente toda a Bíblia, é um livro que se utiliza de símbolos ao invés de retratar a verdade histórica. Sendo assim, falar se Enoque morreu, ou não, pode parecer inútil. Mas não é. Pois se tratando de símbolos o fato de ele ser uma exceção representa um significado, simbólico mas existente.

Talvez a resposta para esse enigma esteja no Livro de Enoque. Nele, o autor narra a descida de alguns anjos ao planeta Terra para tomar como esposas as filhas dos homens. Ao fazerem isso, esses seres, comandados por Samyaza, ensinaram à humanidade diversos sortilégios. O mundo encheu-se de luxúria, depravações, derramamento de sangue e iniquidades. Mas Enoque permaneceu justo e bom e foi o enviado de Deus para conversar com os anjos e levar as ordens do altíssimo ao universo. O restante da história todos já conhecem. Deus eliminaria toda humanidade em um dilúvio e um descendente de Enoque – Noé – seria o escolhido para repovoar a Terra.

Alfabeto Enoquiano
Há outros mistérios sobre Enoque. Um, em especial, trata-se da magia enoquiana. Um tipo de magia que tem como objetivo invocar e evocar anjos. Mas não pense que anjos são esses seres bonzinhos com asinhas e prontos para te proteger dos perigos. Os seres angélicos da magia enoquiana são entidades antigas e muito poderosas. Para convocá-los é necessário utilizar símbolos complexos que são chamados de linguagem enoquiana. Esse tipo de magia veio à tona no século XVI através dos místicos e magos ingleses Edward Kelley e John Dee. Futuramente, nos séculos XIX e XX a Golden Dawn utilizou-se muito desse tipo de magia, assim como Aleister Crowley que se dizia a própria reencarnação de Kelley.

Edward Kelley
Tudo isso faz de Enoque um personagem mais do que misterioso, do tipo que merece ficar oculto, pois suas histórias, mais do que filosóficas ou teológicas, podem ser, acima de tudo, perigosas. Portanto, se essa matéria despertou seu interesse e, por isso, você deseja procurar mais a respeito, cuidado com o que busca em relação a Enoque, pois, para o bem ou para o mal, você pode encontrar.

(fontes: O Livro de Enoque e Bíblia de Jerusalém)
  


















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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Milagres. Do inexplicável ao charlatanismo.

Milagres existem? Bom, se algum religioso ler isso certamente dirá que sim. Milagres existem e são feitos por mãos de santos ou, no caso de evangélicos, de bispos ou pastores.

A palavra milagre tem uma conotação muito interessante, já que, em muitos momentos, está relacionada à cura. Portanto, quando alguém adoece de algum mal que a medicina tradicional é incapaz de tratar, mas, ainda assim, se recupera ficando plenamente saudável, é comum dizer-se que ocorreu um milagre.

Os milagres ficaram conhecidos através dos relatos bíblicos sobre Jesus Cristo. Segundo a Bíblia, o rei dos judeus teria praticado curas, afastado demônios, ressuscitado um homem, multiplicado pães e peixes, andado sobre a água e feito uma série de outras transformações da realidade que não podem ser explicados pela ciência ou por um pensamento racional (Hoje a ciência ainda tenta explicá-los, mas o raciocínio lógico ainda diz que esses fatos não passam de crendices ou, na visão dos espiritualistas, de milagres).

Mas essa busca incessante por dar explicações aos fenômenos da natureza, ou daquilo que foge à realidade tornando-se sobrenatural, esteve sempre na cabeça do homem. A diferença é que nos séculos mais recentes a ciência ganhou uma predominância sobre as outras formas de conhecimento.
     
Até a Idade Média os conhecimentos científico, filosófico e esotérico possuíam praticamente as mesmas fontes. A ciência, a metafísica e o misticismo encontravam-se intrinsecamente ligados e todo o saber estava relacionado a eles. Logo, o que não era possível de se explicar com uma dessas três áreas de conhecimento era solucionado pelas outras duas. Hoje isso não ocorre mais. Sendo assim, a ciência não permite que a realidade seja explicada por meio da mitologia e até a filosofia está subordinada à forma de conhecimento determinada pelos cientificistas.

Esse predomínio da ciência sobre as outras áreas de conhecimento levou, inclusive, a Igreja Católica a adotar como milagres – realizados pelos Santos – somente os casos em que não é possível haver uma comprovação científica. Estando esgotadas todas possibilidades de explicações lógicas e racionais o feito só pode ter como origem a divindade e seus desígnios.

A ciência nesses casos é, de fato, uma importante ferramenta para separar aqueles que têm boa fé e acreditam nos milagres, daqueles de má índole que só querem enganar as pessoas e arrecadar mais dinheiro com suas Igrejas.  

Por isso é preciso estar atento, pois muitos dos que são descritos como milagres, ou seja, fatos sem a comprovação científica, são na verdade golpes aplicados por falsos profetas em uma população carente de explicações para seus sofrimentos ou para a própria existência.

Nesse caso, o milagre não é aquilo que a ciência não pode comprovar. Mas sim, o feito, ou fato, que a ciência prova não possuir outra explicação que não uma intervenção divina. Pode parecer confuso esse argumento, mas é mais fácil visualizá-lo com um exemplo: imagine que existe um sacerdote que afirma ser capaz de realizar milagres. Então para mostrar essa capacidade ele decide curar um paraplégico e, de fato, a pessoa levanta-se da cadeira de rodas e sai do local andando. Oras, antes de afirmar que ocorreu um milagre é necessário que a ciência comprove que essa pessoa era um deficiente e que realmente não possuía outra forma de recuperar o movimento das pernas a não ser que fosse por um milagre.       

Na maior parte dos casos esses acontecimentos não passam de uma fraude. Portanto, cabe a cada um estabelecer o seu senso crítico e não se deixar enganar facilmente por essas incontáveis Igrejas que se autodenominam portadoras da verdade e da palavra de Cristo. A ciência nesses casos deve ser compreendida como uma de muitas ferramentas para que cada cidadão se considere livre para crer ou não em milagres.   


   




quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

A Igreja Católica e a questão da mulher no sacerdócio

A Igreja Católica é uma instituição antiga que preserva e valoriza suas tradições, mesmo que isso contrarie boa parte da sociedade. Por isso, há muitas práticas realizadas ainda hoje pela Igreja que não estão atualizadas com a época em que vivemos.

Tendo como base de seu apostolado a família, suas iniciativas visam sempre mantê-la unida. O problema está na definição dessa palavra: família. Em uma sociedade em constante transformação, como a nossa, é muito difícil manter antigas tradições, costumes e leis. Isso gera um grande conflito nas posições ideológicas e religiosas das pessoas.

A Igreja Católica tende a ser uma força conservadora frente às constantes mudanças da sociedade. Logo, assume certas posturas arcaicas que, em alguns momentos, tendem a serem contras os avanços e iluminação do pensamento da humanidade. Isso é perceptível em sua posição contrária aos métodos contraceptivos, principalmente a camisinha. Essa postura é um tanto quanto discutível em qualquer país do mundo. Mas se observar o que acontece na África, com o surto de AIDS entre a população das nações de todo continente, chega a ser revoltante – para não dizer desumano – a proibição da camisinha.

Isso é apenas uma forma de ilustrar o pensamento retrógrado que a Igreja possui. Os católicos, no entanto, não são os únicos, nem os piores ou mais atrasados, que possuem um pensamento reacionário. Outras religiões, cristãs ou não, estão muito mais atrasadas às mudanças ocorrentes no mundo.   
 
É bem óbvio que se há uma força conservadora fortíssima dentro da Igreja ela tenderá manter as tradições. Com isso, o pensamento antigo e preconceituoso de que a mulher é inferior e, portanto, não pode realizar as mesmas atividades que o homem, continua a existir.

O argumento católico é de que Jesus não teve mulheres entre seus apóstolos. Mas esse pensamento não leva em conta o contexto histórico e social dos judeus na época de Cristo. E, ainda assim, não se pode esquecer de Maria Madalena, uma mulher tão próxima a Jesus que foi a primeira a vê-lo após ressuscitar. O resultado dessa argumentação na Idade Antiga e Média foi o de colocar a mulher em segundo plano na sociedade. E hoje, tanto tempo depois, não se pode quebrar uma tradição simplesmente por ela já estar consolidada em todo âmbito social.

No entanto, mesmo levando tudo isso em consideração, é possível enxergar essa questão de forma diferente. Há uma distinção biofísica do Homem para a Mulher e essa diferença moldou, desde a pré-história, atividades pertinentes a homens e a mulheres (hoje a mulher já mostrou ser capaz de realizar, com o mesmo empenho e dedicação que os homens, a maioria das tarefas masculinas, tanto as que exigem esforço físico, quanto intelectual). No geral coube ao homem as tarefas de guerrear e trazer alimentos para casa, como carnes de caça e pesca. Às mulheres coube cuidar dos filhos, da casa, da agricultura e, em algumas sociedades, da religião. Elas, em muitos casos, eram sacerdotisas e cultuavam a uma Deusa ao invés de um Deus único.

Mas enfim, desde muito tempo houve distinções do que seriam atividades atribuídas a Homens e a Mulheres. Para a Igreja Católica são os sacerdotes que devem celebrar a missa. Essa talvez seja uma herança da época de Cristo. Já as freiras servem a Deus como lhes é devido. Muitas realizam obras de caridade e de educação. Algumas ainda em vida são reconhecidas como santas pelo seu trabalho de ajuda ao próximo, como por exemplo, Madre Teresa de Calcutá e Irmã Dulce.

Ante a esses fatos a atribuição de celebrar uma missa fica em segundo plano. Afinal um ato de caridade tem um valor imenso perante Deus, ainda mais se esse ato for a dedicação de uma vida para ajudar os pobres e miseráveis.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Rota Europeia de Cidades Templárias

Em fins de outubro de 2014 foi dada continuidade para a criação de uma Rota Europeia de Cidades Templárias. Dessa vez foi uma delegação da cidade de Tomar, de Portugal, até a cidade de Troyes, na França (local singular, já que lá, em 1129, foi formalizada a Ordem do Templo pelo Vaticano). Essa aproximação entre as regiões europeias históricas para o templarismo já vem ocorrendo há alguns meses e é um importante passo para uma rede europeia de cidades templárias.

Vamos aguardar e torcer para que futuramente possa existir um roteiro de viagens pelos locais onde houve atividade templária.  



  

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Reflexões sobre o grão de trigo, a civilização e a mitologia

Nesse mês de setembro ocorre a chegada da primavera no hemisfério sul. Mais um inverno termina e, com ele, o frio, as noites mais longas e os dias mais cinzas. A primavera representa o ressurgimento da vida. É a estação em que os vegetais se renovam após as agruras do inverno.



Espiga de trigo (falandoaosdiscipulos.blogspot.com)
O maior exemplo dessa mudança é um cereal que é cultivado já há alguns milênios: o trigo. Poucos cultivos são tão simbólicos e marcam tanto o renascimento da vida quanto o desse grão. É preciso semeá-lo, fazê-lo crescer e ceifa-lo. Esse processo pode ser visto como o nascimento, a passagem pelas etapas da vida e, por fim, a morte.

Região do Crescente Fértil (www.infoescola.com)
A cultura do trigo começou quando o homem deixou de ser nômade e passou a habitar locais fixos. A agricultura foi um fator essencial para essa nova forma de vida. E, claro, o trigo esteve presente desde os primórdios da sociedade. Ele representa a passagem do estado selvagem do homem para o de domínio da natureza. Estima-se que as plantações de trigo se iniciaram, na região do Crescente Fértil, há cerca de 6.700 anos antes de Cristo. Sua produção é uma verdadeira representação dos 4 elementos alquímicos: ele nasce na terra, é regado com água, espera-se que cresça com o ar e, por fim, utiliza-se o fogo para cozer a massa. Assim se produzia o pão, um dos principais e mais antigos alimentos que existe.

Representação de Osíris (astrologievulgarisee.wordpress.com)
O trigo logo se integrou com as religiões e mitologias das primeiras sociedades. No Egito, o trigo estava diretamente ligado ao deus Osíris, que julgava os mortos e permitia boas colheitas à população. Conforme a lenda, Osíris foi morto pelo seu irmão, o deus Seth, mas com a ajuda de sua esposa, a deusa Ísis, ele ressuscitou. Uma das formas de Osíris ser representado pelos egípcios era como uma múmia que trazia consigo, junto ao corpo, algumas espigas de trigo. Dentre as tradições desse povo, uma era de enterrar uma escultura de Osíris, feita de barro e trigo, para que a colheita fosse próspera.

A associação desse cereal com a morte – e renascimento – sempre esteve presente na história das civilizações. Ainda no Egito, é comum encontrar hieróglifos que mostravam sacerdotes jogando trigo no túmulo de Osíris. Além disso, uma das práticas da época era jogar grãos de trigo quando alguém morria para que essa pessoa pudesse ter vida eterna. Essa simbologia não era à toa. Para obter uma semente de trigo era necessário que esse grão morresse e adubasse a terra onde teria a plantação.
Colheita do trigo por escravos hebreus (pinheiroempauta.blogspot.com)

Da cultura egípcia, o cultivo desse cereal migrou com os hebreus quando eles foram libertos da escravidão. Encontra-se, na Bíblia, diversas passagens nas quais o trigo aparece. Jesus, por exemplo, utiliza a metáfora do joio e do trigo para simbolizar, respectivamente, o homem mau e o homem bom. No evangelho de João (cap.12,24) é citada uma conversa em que o Cristo diz que se o grão de trigo cair no chão e sobreviver ele ficará só. Porém, se ele morrer renderá muitos frutos. Uma alusão clara de sua morte e ressurreição. Em ambas as passagens bíblicas o trigo é visto como era no Antigo Egito: uma representação da morte e da vida após a morte.

Enfim, talvez o significado mais importante do trigo seja o de que o nosso universo é cíclico e que, para a humanidade sobreviver como espécie, é preciso que haja nascimento, reprodução e morte, para mais uma vez um ser humano nascer e o animal homem continuar a seguir seu caminho pela roda da vida. 

sábado, 23 de agosto de 2014

A espada templária

Uma das características da Ordem do Templo era a sua completa e efetiva Regra. Nela foi regulamentado, até os últimos detalhes, os usos e comportamentos de um Irmão da Ordem. E então cabe uma pergunta: Como era a espada destinada a um templário?

É importante deixar claro, desde o princípio, que os Retrais (complementos da Regra Primitiva da Ordem) não indicam uma norma clara e explícita a esse respeito. Mas deixam alguns indícios que permitem fazer uma reconstrução bastante exata de como devia ser e quais critérios adaptar.

A espada templária: uma arma padronizada?

Parece que sim. Para embasar essa afirmação basta ler o que está escrito no artigo 138 da Regra, que se refere ao material que recebe cada irmão iniciante:

“Uma cota de malha, calças de ferro, elmo, uma espada, um escudo, uma lança, uma maça turca, uma sobreveste, camisão, sapatos de cota de malha, três facas, um punhal (...)”

Obviamente, cada postulante recebia seu próprio equipamento regulamentado. Não importava que o futuro irmão tivesse equipamento próprio. Independente da espada que levava, seria lhe entregue uma segundo a norma. 

O voto de humildade estava presente em vários artigos da regra primitiva. O artigo 18, por exemplo, diz: “... Ordenamos a todos que tenham o mesmo...”

De tal maneira que, salvo as diferenças que encontramos entre drapiers, armeiros e artesãos, os irmãos templários não deviam diferenciar-se uns dos outros, amparando-se no voto de humildade. Os Retrais nos deixa claro que há diferenças sutis quanto a quantidade – que não é qualidade – de equipamento entre os cargos da Ordem e um irmão raso, mas fundamentalmente era sempre o mesmo equipamento. O artigo 18 se refere à roupa, mas, em artigos posteriores, especialmente o 138, já mencionado, pode-se dizer que estão incluídos a roupa e as armas no mesmo artigo. Pois o armamento fazia parte da indumentária dos cavaleiros.

Outra pista sobre a padronização das armas templárias são encontradas no artigo 66 da regra primitiva, relativa aos cavaleiros seculares que ingressavam na ordem para passar um determinado tempo:

“Ordenamos que todos os cavaleiros seculares (...) que adquiram, cumprindo a norma, um cavalo e armas adequadas (...) E mais, que ambas as partes deem um preço ao cavalo e que esse preço fique por escrito para não ser esquecido (...) e deixai que tudo o que o cavaleiro, seu escudeiro e seu cavalo necessitem provenham da caridade fraterna segundo os meios da casa.”

Observa-se um detalhe: se pede que o cavaleiro porte armas adequadas, o que sugere uma norma de tipologia e qualidade. Não se tinha qualquer espada, senão a espada que se considerasse adequada, ou seja, uma arma que cumprisse determinados padrões. 

Por outro lado, determinadas comendas (considere-se as comendas maiores ou as que tinham guarnição militar) dispunham de um arsenal próprio, tal como se observa no artigo 102: “O mariscal deveria ter sob sua jurisdição todas as armas da casa: aquelas que foram adquiridas para dá-las aos irmãos (...)”

Mas não se deve parar nesse artigo, pois há uma frase que é repetida por toda a regra, tanto no relativo a armas e armaduras como a outros pertences que é “(...) será dado pela casa”. O que reforça a opinião de que existia um estoque de material.

Enfim, daqui pode-se notar que cada templário recebia uma só espada e essa espada tinha que cumprir uma série de critérios de morfologia e qualidade. Se sugere também a existência de arsenais onde se armazenavam as armas sob tutela do mariscal da ordem (cargo eminentemente militar).

A espada templária: qual era o tipo de lâmina usado?

Ainda que não esteja escrito em nenhum lugar, haja vista que cada templário recebe da casa somente uma espada, parece bastante óbvio que tinha que ser uma espada de arção. Apta tanto a combater montado quanto a pé.

Outro dado que reforça essa tese está no artigo 144, que diz: “(...)nenhum irmão pode encurtar seus estribos de couro, nem seu arreio, nem o cinto de sua espada (...) sem permissão(...)”

Encurtar os estribos implica em combater com a espada ao invés de com a lança. Quer dizer combater corpo a corpo, pois assim o cavaleiro pode erguer-se sobre os estribos para acertar um golpe, ou para ter mais campo para manipular a arma. Da mesma forma, ajustar o arreio, e o cinturão da espada supõe se preparar para a ação. Quer dizer: só poderia preparar-se para o manejo da espada com a permissão necessária antes de entrar em combate.

Tipologia de Oakeshott
Ainda falta identificar a lâmina. Não se pode dizer que contamos com algum testemunho escrito, mas temos uma cronologia e um estudo a sobre a morfologia das espadas. Segundo a denominação Oakeshott, se pode deduzir sem muita margem de erro que a lâmina deveria ser uma X, uma Xa, ou uma XI. Em todo caso, havia um amplo sulco (por mera funcionalidade: um aspecto sóbrio que não contraria o voto de humildade. Nada de luxo desnecessário).   

Deduzimos, então, que a espada templária era de arção (pelas regras), sóbria (pelo voto de humildade) e com um grande sulco no centro de sua lâmina (pelas características da época).

A espada templária: como era sua guarnição?

Esse é um terreno mais especulativo, mas não menos verossímil. No artigo 561, nos detalhes da penitência – sobre um irmão expulso que reteve seu equipamento – não como aparece no manuscrito de Curzon, senão pelo de Dijon, se menciona expressamente que a espada “lembra a cruz que temos no peito”. Sabemos – não pela regra, mas pelos usos gerais – que era habitual rezar ante a cruz da espada, considerando esta como tal. Se recordava uma cruz, não é presunçoso pensar duas coisas:

1ª – os guarda-mãos deviam ser retos ou espatulados

2ª – dado a definição da cruz pátea – símbolo do Templo – implica que deveria ser mais larga nos extremos do que nos centros e guarda-mão espatulado tipo 5 (segundo Oakeshot).

Nos sobra por definir o pomo da empunhadura e essa será a afirmação mais temerária. Nada aparece escrito ou aludido na Regra a esse respeito. Mas sendo esse um trabalho que demandava muito esforço e os cavaleiros templários tendo feito votos de pobreza e humildade essa parte da espada provavelmente não deveria incorporar adorno algum. Um pomo poligonal ou com forma de noz implica em um trabalho extraordinário para o armeiro. Assim, não é muito fora da realidade teorizar que o pomo seria discoidal (o menos trabalhoso). Um tipo G, H, I ou J1 segundo Oakeshott.

Essa informação é a menos rigorosa dentro desse artigo, mas ainda assim não é tão avoada e contém uma certa lógica.

Para finalizar: como era a espada templária?

Segundo o explicado anteriormente, a espada de um irmão templário seria uma arma de guarnição, sujeita a uma certa norma de qualidade não especificada. Feita de arção com um amplo sulco, guarda-mãos totalmente retos ou espatulados, pomo discoidal e isenta de qualquer adorno supérfluo. 

(tradução livre do texto encontrado no site:http://www.espadasydragones.es/armas-medievales-la-espada-templaria)  

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

A mística de Raul Seixas

Hoje completam 25 anos da morte de Raul Seixas. O roqueiro é conhecido como o maluco beleza, aquele cara que é louco, mas que não machuca ou agride ninguém, o que é uma visão um tanto quanto simplista sobre quem foi esse artista.

Raul nasceu na Bahia, desde criança escutou rock, porém não esqueceu de suas raízes na cultura nordestina e era um grande fã de Luis Gonzaga, assim como de Elvis Presley. O tempo passou e a criança que gostava de rock fundou um grupo que futuramente viria a ser chamado de Raulzito e os Panteras. Essa banda acompanhou Jerry Adriani em sua turnê pelo nordeste e logo após Raul se muda para o Rio de Janeiro onde começou o trabalho como produtor da CBS. Até que um dia ele decide conhecer um jornalista que escrevia numa revista sobre disco voadores e outras loucuras místicas. O nome desse jornalista era Paulo Coelho e esse encontro marcaria profundamente, não só a vida dos dois, mas também a da música brasileira e, o que mais nos interessa aqui nesse blog, o universo místico e esotérico do Brasil.

Paulo Coelho apresentou a Raul as ideias daquele que foi o mais importante mago do século XX, Aleister Crowley. A partir de então uma sequência de músicas sobre Thelema foram feitas pela dupla. E mais, Marcelo Mota, o responsável por trazer ao Brasil a obra de Crowley, tornou-se um parceiro de Raul e Paulo Coelho e, com eles, escreveu músicas antológicas do rock brasileiro. Obras primas, como A Maçã e Tente Outra Vez são o resultado dessa parceria.

Algum tempo depois, ainda nos anos 70, houve uma tentativa de fazer no Brasil a Sociedade Alternativa, uma comunidade anárquica com total influência dos ideais de Crowley. É óbvio que os militares, que governavam o país na época, não aceitaram essa sociedade e a ideia se perdeu.

A parceria entre Raul e Paulo deixaria de existir ainda na década de 70. Mas em suas canções Raul nunca se desvinculou do universo místico e esotérico. Em seu último disco, por exemplo, há uma música chamada Nuit, que pode tanto significar noite, em francês, como ser também o nome da deusa dos céus egípcia, que por sinal é a principal oradora da primeira parte do livro da lei de Aleister Crowley e tem uma grande importância para a Thelema.

Outra música que merece ser mencionada chama-se Água Viva, do disco Gita. Ela faz um relato de que pela noite corre uma fonte de água que dá vida a todas as criaturas. Essa música foi inspirada na obra do poeta e místico espanhol, São Juan de La Cruz, mais precisamente no poema A Noite Escura da Alma. Essa poesia, escrita em 1578 ou 1579, narra a jornada da alma na noite escura até encontrar a fonte de toda luz, que é Deus.


Para finalizar, parece até lugar comum falar que a obra de Raul é imensa. Seus últimos dias de vida e sua morte, porém, são tristes. Raul tinha um carisma e uma profundidade mística em seu trabalho que fizeram dele quase que uma figura de um profeta. Um santo que é seguido por multidões. Claro que o cantor não era nada disso, mas hoje, após 25 anos de sua morte, ainda é difícil aceitar a perda de um artista tão rico em simbologia, sarcasmo, poesia. Enfim, tantos outros atributos que, com certeza, o fazem ser o maior expoente do rock n`roll no Brasil.

Viva Raul!